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PQS Life Coach

O Coaching é uma metodologia que ajuda no encontro do caminho a percorrer para a busca de soluções e de uma melhoria contínua, no sentido de realizar um "upgrade" na nossa forma de comunicar.

A Árvore e o Sol


Pedro Quaresma da Silva

25.05.22

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“(...) Ah, a foto está espetacular, mas devias ter cortado a tua garagem, bem como o tapete e o grelhador pendurados na rede…”

Estes são alguns dos comentários possíveis a esta foto, comentários que me levam a refletir também na vida, do mesmo modo que observo esta foto. Afinal, o que é mais importante?

A essência, que é a paisagem, o Sol, o brilho da manhã, as várias neblinas que assolam os montes e o vale do Tâmega, ou estes pormenores que surgem no rodapé da foto? Afinal na vida, o que é mais importante?

As vivências felizes, as pessoas que nos fazem bem, os amigos, a família, as boas memórias, etc., ou facto de o cachorro do vizinho ter libertado no passeio os seus dejetos?

O que é que vai potenciar o meu dia? Em que me vou focar para o dia que quero ter? Que memórias deverei reter, para inspirarem o meu dia?

Por aqui se nota que a vida que vivemos, depende muito do foco que optamos por ter. Nesta foto é perfeitamente possível observar toda a beleza natural, relevando os pormenores menos bonitos que ao fundo aparecem, se nos quisermos focar em toda a beleza, paz, inspiração, que queremos receber desta paisagem.

Porém, se preferirmos, também nos conseguimos abstrair de tudo isto, focando-nos apenas na rede com o tapete e o grelhador, ou no telhado da garagem, ou até em pormenores técnicos da qualidade da fotografia, como a luz, as sombras, isto ou aquilo...

Estes comentários, lembram-me a história dos dois amigos, que na sua caminhada, se sentaram num muro de pedra, na beira da estrada. Um muro, que separava a estrada de um terreno em pousio, e que na altura da Primavera se encontrava cheio de ervas e flores silvestres.

Num canto desse terreno existia um pequeno pedaço de terra, que por alguma razão não tinha as mesmas ervas e flores silvestres.

Nisto diz um deles: “(...) repara bem como é lindo este terreno… tantas cores, tanta diversidade de ervas e flores silvestres, que magnífica obra da natureza”.

O seu amigo igualmente agradado com o que tinha na sua frente, respondeu: “(...) de facto… Mas é pena aquele bocado, que estraga o todo da paisagem”.

Neste diálogo percebemos a imensa importância da forma como olhamos para a vida, e aquilo que escolhemos para nos inspirar.

Retomando o exemplo dos dois amigos, um deles focou-se na grandeza do que via, enquanto o outro procurou o menos bom da mesma grandeza…

FOCO!

Em tudo na nossa existência surgem-nos situações em que, pelo tipo de trabalho que temos ou por quaisquer outras questões somos obrigados a viver de determinada forma por razões que nos são alheias; e outras, na minha opinião a maioria, são as que optamos por viver, são aquelas que são fruto das nossas opções livres e conscientes. Talvez rumemos muitas vezes em direção ao que não é importante, desviando-nos do essencial. Talvez até, nos desviemos deliberadamente, pelo caminho mais confortável…

Talvez ainda nos desviemos para evitar esta ou aquela situação que não acreditamos ser capazes de ultrapassar, alimentando assim crenças limitadoras que castram a nossa capacidade de optar.

Quem sabe até, quantas vezes culpamos tudo o que nos rodeia, pela má opção que tomamos, esquecendo-nos que essa opção foi nossa?

O ser humano é muito hábil a transformar em difíceis, as coisas que são simples. Estas opções transportam-nos a vários sentimentos, uns de culpa, outros ainda de culpabilização.

Cada um de nós é absolutamente responsável pelas suas opções, e por isso mesmo, devemos pensá-las com o máximo cuidado, mas, por favor não confundam cuidado com medo.

O cuidado é prudente, mas o medo é a melhor forma de nos algemarmos a crenças que nos impedem de progredir, crescer, evoluir.

Não! Não se trata de demagogia. Não é uma utopia…

- NÓS PODEMOS OPTAR POR SER FELIZES!

- NÓS PODEMOS OPTAR POR SER SAUDÁVEIS!

Posso optar na vida, pela posição que quero ter, tal como na foto que quero tirar de uma árvore tirando partido do Sol: se eu me colocar de frente para a árvore, e de frente para o Sol também, terei uma belíssima foto, aproveitando os raios de Sol que invadem a árvore num jogo de sombras e luz, mas a árvore ficará escura, não podendo apreciar a beleza das cores das suas folhas no Outono. Mas se por outro lado me colocar de costas para o Sol, tirarei partido da sua luz, para conseguir toda a beleza das cores das mesmas folhas, do mesmo tronco, dos mesmos ramos.

Reparem bem…

A árvore é a mesma, o Sol é o mesmo, a hora é também a mesma, bem como o local que também ele é o mesmo, e até o fotógrafo é também o mesmo. A única coisa que mudou foi o FOCO.

Fiz a minha opção, relativamente ao objetivo que pretendia atingir… A Árvore, ou o Sol.

Por favor, sejam felizes.

Artigo publicado na ZEN ENERGY | Maio 2022
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Quero ter colaboradores felizes


Pedro Quaresma da Silva

31.03.22

O título deste texto reflete a vontade da maioria dos empregadores portugueses, contudo, existe ainda um fosso muito grande que separa a vontade da atitude...

Existem já algumas empresas de referência, que têm vindo a tornar esta vontade numa realidade. Empresas que criaram o departamento da felicidade, e outras, mais pequenas e que não têm ainda estrutura para um departamento dessa natureza, mas que junto das direções de RH vão tomando decisões no sentido de terem os seus colaboradores felizes.

Outras há, que falam sobre este tema de forma hipócrita, porque de facto não fazem nada e nem tão pouco têm vontade de fazer o que quer que seja neste sentido, e ainda outras que não perceberam a importância de ter o seu grupo de trabalho feliz e a trabalhar num ambiente leve e lavado de energias negativas.

O mundo laboral dos dias de hoje deve ser um espaço intermédio entre a cigarra e a formiga. Sim, é isso mesmo… as cigarras, e as formigas.

As cigarras são muito importantes no mundo do trabalho, do mesmo modo que a formiga o é também, mas nem só o canto da cigarra, nem só o trabalho árduo da formiga.

O pensamento moderno do empregador de hoje tem lugar para ambos, uma vez que o canto da cigarra permite que a formiga seja mais produtiva com um menor peso anímico do trabalho.

É um facto, que se a empresa não produzir, não gera rentabilidade, porém, um trabalhador que vai trabalhar de forma leve, e conforme está já provado por inúmeros estudos científicos, trabalha mais e melhor, gerando maior e melhor produtividade versus rentabilidade.

Para isso, deve haver o especial cuidado de não colocar a cigarra na produção, nem a formiga na animação. Nenhuma delas vai ser feliz, e nenhuma delas será jamais produtiva.

Temos então que estar muito atentos aos talentos que temos dentro das nossas empresas.

Para a empresa que não percebe os talentos da cigarra e da formiga, a rentabilidade versus produtividade versus felicidade será um problema. No entanto a empresa do lado, que percebeu o talento de cada um dos seus colaboradores, e faz um recrutamento cuidado e atento, dificilmente terá estas questões geradoras de desequilíbrio emocional, e consequentemente profissional, resultando num débil ou menos bom desempenho.

 

 

Segundo diversos estudos, não é a remuneração o principal fator da infelicidade laboral… de todo.

Um dos maiores problemas nas nossas empresas é a falta de reconhecimento e a gestão dos talentos.

Temos trabalhadores felizes com baixas remunerações, e temos também o inverso disso, colaboradores desmotivados com remunerações acima da média.

Podemos se quisermos, atentar nos últimos tempos com a pandemia e na resultante revolução do teletrabalho.

Não ouvi falar de nenhum caso em que uma empresa tivesse reduzido a sua produtividade, contudo, todos conhecemos inúmeros relatos de pessoas que dessa forma conseguiram acompanhar mais os filhos e até viverem mais felizes…

Trabalharam menos?

Talvez até tenham trabalhado mais, mas mais felizes.

Noutros casos com a correria das crianças, alguns trabalhadores preferiram trabalhar na empresa, porque se tornavam mais produtivos.

E este livre-arbítrio fez trabalhadores felizes.

Não importa como, nem porquê, o que importa é que ambas as partes continuaram num saudável caminho de felicidade versus produtividade, e por isso, muitas empresas adotaram esse regime livre de forma definitiva.

Outras, talvez por falta de confiança no empenho das suas equipas, ou eventualmente por outras razões, optaram por vedar essa forma de trabalho aos seus colaboradores

Já vi empresas a dispensar bons colaboradores e logo a seguir contratarem alguém para uma função em que este trabalhador poderia ser uma mais-valia.

Já vi empresas a contratar colaboradores para funções que poderiam ser

brilhantemente preenchidas por outros que estão já na empresa.

Estes tipos de situações revelam falta de visão dos responsáveis RH, ou eventualmente um défice na comunicação interna, que não permite aos responsáveis de RH o conhecimento da existência desses valores, ou ainda que não permitem à sua equipa ter conhecimento dessas vagas.

E aqui, chegamos a um outro desafio para as empresas… a Comunicação Interna.

É absolutamente fulcral, o canal de comunicação interna das empresas, em que toda a equipa tem conhecimento das necessidades de contratação da empresa em que trabalha, por forma a, por um lado permitir candidaturas internas a novas funções, e por outro lado os responsáveis de RH terem sempre um conhecimento atualizado do crescimento e valor dos colaboradores que compõem a equipa.

 

Com esta comunicação, qualquer empresa poderá tornar a equipa mais feliz, colocando a Cigarra e a Formiga nos lugares certos e alinhados com o seu perfil. Além do que, uma vez que cada um estará no seu lugar, a empresa irá também rentabilizar o seu plano de formação.

“Se a Cigarra sabe cantar e na função que vai exercer deverá cantar, não precisará de formação em canto”. Por outro lado: “Se a Formiga é hábil na produção, não deverá também ter o mesmo volume de formação na sua área”.

Ter funcionários felizes e motivados torna uma empresa mais fácil de gerir e mais rentável. Também a retenção de talentos será potenciada, no sentido de ganhar uma maior estabilidade de grupo.

Se MOTIVAR, RECONHECER e ALOCAR terá seguramente uma melhor rentabilidade para melhor remunerar e não o contrário.

Criemos empresas felizes, com colaboradores felizes.


Artigo Publicado na HUMAN RESOURCES | 30 de Março 2022
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Vou ser um trabalhador feliz


Pedro Quaresma da Silva

09.03.22

Escrevi há dias sobre a felicidade no trabalho, de uma forma evolutiva no que à história diz respeito. Desta vez, quero refletir sobre o trabalhador feliz e sobre estratégias que poderão ser importantes para que isso mesmo aconteça.

Vivemos tempos conturbados a todos os níveis, e não apenas profissionais; vivemos uma pandemia e agora um conflito militar que desafiam a estabilidade emocional de cada um de nós.

É o mesmo que dizer que as nossas emoções estão a ser colocadas à prova, chamando à nossa superfície emocional o poder da resiliência.

Tudo isto interfere na nossa estabilidade, desde logo na nossa felicidade, inclusive no trabalho.

Importa, assim, conduzir o foco e orientarmos aquilo que nos pode fazer sentir melhor, mais fortes e, por isso, mais felizes também. Sim, é verdade… A felicidade depende numa escala muito importante da nossa vontade de ser felizes e aqui, neste caso, sobre o tema que escrevo, ser feliz naquela que é a parte onde investimos a maior parte do nosso tempo: na nossa atividade profissional.

O ser humano tem o mau hábito de atribuir culpa, ao invés de assumir responsabilidades. Tem o mau hábito de empurrar com a barriga aquelas que são as suas responsabilidades, sempre que o resultado não é o esperado.

O ser humano não tem o hábito de medir as suas opções e muito menos os seus efeitos quando estas não são as melhores, por isso, não tem também o hábito de ser feliz no trabalho.

No meu último artigo sobre a felicidade no trabalho (link do artigo: https://hrportugal.sapo.pt/a-felicidade-no-trabalho/ ) falei em determinado momento da visão nórdica do trabalho. Os nórdicos, de uma maneira geral, têm uma visão positiva do trabalho, porque o seu foco é atingir os seus objetivos pessoais e familiares. Quando saem de casa para trabalhar, ao contrário da grande maioria de nós, explicam aos filhos de forma feliz e sorridente que vão construir o seu próprio futuro, bem como o futuro da família. Explicam também que é a sua atividade profissional que faz com que se consiga ter uma vida mais feliz. Ao terem esta atitude, fazem com que as gerações que vão chegando tenham uma cultura de trabalhar de forma feliz, porque o objetivo é a felicidade.

Quando disse entre vírgulas que é ao contrário de nós, disse-o, porque a nossa sociedade ensina precisamente o contrário… Transmitimos aos nossos descendentes a ideia de que o trabalho é um peso, ao invés de uma oportunidade de podermos ser mais felizes.

  foco, reside a nossa felicidade em todos os campos da nossa vida. Não é porque o meu trabalho não me realiza que vou deixar de ser feliz, porque esta é a minha oportunidade de poder construir o que quer que seja. Não é aí que devo colocar o meu foco, mas sim em tudo o que o meu trabalho me dá ou permite ter de positivo; sejam as pessoas que compõem a minha equipa, seja a atividade que desenvolvo, sejam as vantagens da minha atividade ou o meu desempenho. Seja ainda o que posso aprender e o que posso crescer, ou seja, o que posso partilhar e/ou desenvolver. Seja de que forma for, podemos sempre ser felizes no trabalho, se o nosso foco estiver orientado nesse sentido.

Como dizia no início desta minha reflexão, nós temos o mau hábito de, sempre que algo não nos corre como seria suposto, empurrar a responsabilidade do que vai acontecendo para alguém ou algo que nos envolva. Esta é uma parte crucial na felicidade no trabalho.

Quando nos responsabilizamos pelo que nos acontece, estamos automaticamente a assumir que algo não fizemos bem. Não ponderamos bem, não executamos bem, não fizemos a melhor opção, não nos preparamos bem, etc... Ao termos esta atitude, estamos de forma intrínseca a analisar o que correu mal.

Quando não assumimos a responsabilidade, não analisamos coisa nenhuma, sob o pretexto que como não sou o responsável, não tenho que fazer a análise do que aconteceu, logo, não irei crescer com o erro. Ao contrário disso, ao assumirmos, faremos de forma automática essa análise, que nos levará a crescer e a mudar a nossa forma de fazer com que as coisas aconteçam de um modo mais feliz e acima de tudo, mais construtivo.

Esta atitude de assunção da responsabilidade tem também efeitos no contexto social da nossa atividade. Ao assumirmos o que vai acontecendo de negativo, mas também de positivo, estamos a libertar tudo o que nos envolve da culpa, que até agora estávamos a atribuir a tudo e todos à nossa volta.

Quando crescemos estamos a contagiar o nosso contexto, mas o mesmo se passa quando decrescemos.

Então, como que em jeito de resumo, se quero ser feliz na minha atividade profissional, devo ver a minha atividade de uma forma feliz. Não é a forma como vou, mas a abordagem quando lá estou que faz a diferença.

Dizia o meu pai: “O dia tem 24 horas. Oito para trabalhar, oito para nós, e oito para descansar. Das nossas oito, parte delas são na deslocação de, e para o trabalho… vamos aproveitar bem as horas que nos foram confiadas.”

E digo eu: Vamos aproveitar estas horas para sermos felizes e deixarmos de contestar o que nos permite ter o que temos e, de alguma forma, ser o que somos.

Trabalhemos e sejamos felizes! ;)

Senhor (da) Guerra


Pedro Quaresma da Silva

01.03.22

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Cuidado!

Estamos neste momento a viver um conflito internacional, que muito nos pode dizer sobre as pessoas. Assistimos a pessoas, eleitas por pessoas, que matam pessoas, supostamente em defesa de pessoas, que estão a ser hostilizadas por pessoas, a mando de outras pessoas.

O que a seguir vou escrever prende-se única e exclusivamente com o meu pensamento, livre de qualquer ideologia política, religiosa, ou seja de que espécie for.

Trava-se neste momento uma guerra entre duas nações, mas que curiosa e escandalosamente, não é uma guerra de nações. Trata-se sim, e tão só do capricho de uma criança rebelde, dotada de inteligência mal e maleficamente aproveitada. Desde a sua chegada ao poder que o sr. Putin vai revelando traços da sua intenção, e bem assim, dos motivos que o levam a ter este comportamento. Desde sempre que esta pessoa tem vindo a revelar os seus ímpetos de guerra, e de desafio ao resto do mundo. O que está a acontecer neste momento, não é, realmente, uma guerra entre duas nações, já que o povo de cada uma delas, maioritariamente não quer esta guerra. Então, e assim sendo, esta guerra é só do sr. Putin. Este senhor está apenas a aproveitar-se do poder de um povo que, de boa-fé o elegeu, e que nele acreditou, e a quem ele desiludiu, para satisfazer um capricho pessoal em nome de um povo que nele não se revê. Então é a guerra de um homem que se aproveita de um povo, para satisfazer um infantil capricho de poder.

Aqui chegado, vejo-me a ponderar emoções, dos milhões de pessoas envolvidas. Pelo lado da Rússia, e apenas pelo que vou assistindo pela comunicação social, vejo naquele povo emoções como vergonha, desilusão, frustração, arrependimento, revolta. Pelo lado ucraniano, injustiça, devassa, desrespeito, humilhação, coragem, foco, determinação. Para ambos os lados um absoluto desrespeito pela vontade do povo.

Transpondo isto para a realidade universal, leva-nos cada vez mais a pensar no voto responsável e, no meu ponto de vista, apartidário. Cuidado, é o nome que decidi dar a este texto, e é exatamente por esta razão. Sempre que elegemos alguém para um cargo de poder, e por vezes poder absoluto, não só no caso de estados democráticos, mas também no caso de estados onde tradicionalmente impera a ditadura, é fundamental pensarmos a que tipo de pessoas vamos dar esse poder. Este poder absoluto nem sempre é, como está à vista de todos, exercido em prol de um povo, mas utilizando um povo para satisfazer caprichos, ou vontades muito pessoais.

Mas combato também a hipocrisia. Todos os dias, e há muito tempo se mantêm guerras em vários países do mundo. Nos últimos dias, houve também bombardeamentos aéreos na Síria, na Somália, no Iêmen. Há massacres diariamente em vários outros pontos do mundo, conforme vamos acompanhando nos mais diversos serviços noticiosos. Não vejo ninguém a colocar a bandeira destes países na sua foto de perfil. Não condeno de todo esta onda de solidariedade, mas isto apenas revela um egoísmo generalizado das pessoas. Enquanto a guerra está na casa dos outros, está tudo bem, a menos que a mesma guerra corra o risco de bater à nossa porta…

Aí, o medo leva-nos à solidariedade, e a manifestá-la publicamente. Pessoalmente estou solidário com todas as pessoas que passam por estas guerras. Esta mais recente, e na europa, preocupa-me especialmente pela escalada universal. Não quero com isto dizer que considero errada toda esta onda de solidariedade, que me faz estar orgulhoso de tantos milhões de pessoas, e de tantos compatriotas, como português que muito me honra ser. Estou apenas a aproveitar o momento para apelar à união e solidariedade para com todos os povos, sejam eles de perto ou de longe, sejam negros, brancos, orientais, índios, ou o que forem…

Todos são pessoas dotadas de sentimentos e emoções, e merecedoras de todo o respeito que todas as pessoas merecem.

Dizem os ucranianos: Glória à Ucrânia.

Digo eu: Glória a todos os povos, que optam pela comunicação em prol da paz, das vidas, da estabilidade, da união.

Artigo publicado no DIÁRIO DO MINHO / SEXTA-FEIRA / 11.03.22

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A Felicidade no Trabalho


Pedro Quaresma da Silva

15.02.22

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Se pensarmos nas nossas atitudes altruístas, o que diríamos desta imagem? Ou antes, o que mudaríamos nesta imagem?

Na sua empresa os Rh são para os recursos humanos, ou são para a empresa?

Como vê um departamento de Recursos Humanos?

Existe uma enorme diferença de empresa para empresa, no que toca ao funcionamento deste departamento, que pode e deve ser vital numa empresa. Algumas empresas efetivamente vivem focadas nas suas pessoas, e são um exemplo para todos os empresários, e outras há em que as pessoas não passam de máquinas de produção, e por vezes servem também para manobras de marketing, cujos empresários têm uma necessidade absoluta de reavaliar conceitos, e alargar o seu leque de visão, por forma a entender uma nova realidade que começa a ser dominante: A felicidade no trabalho...

É já passado o tempo em que as pessoas saiam de casa todos os dias de manhã, com o objetivo único de ganhar dinheiro. No início, as pessoas tinham uma preocupação única, que era o sustento próprio, bem como das pessoas que compunham o seu agregado familiar; depois, começaram também a preocupar-se com os seus direitos, no que às condições de trabalho concerne, e nessa altura, os empresários perceberam que estas reclamações poderiam fazer sentido, e até tornar-se mais lucrativas…

- Tendo os trabalhadores melhores condições para trabalhar, poderiam produzir melhor, e até mesmo produzir mais. -

Mais tarde, os mesmos trabalhadores, começaram a pensar em menos horas de trabalho, em ter mais tempo para recarregar energias, e o raciocínio dos empresários foi exatamente o mesmo…

- Tendo os trabalhadores melhores condições para trabalhar, poderiam produzir melhor, e até mesmo produzir mais. -

Entretanto, os trabalhadores conquistaram o direito a férias, e os empresários pensaram:

- Tendo os trabalhadores melhores condições para trabalhar, poderiam produzir melhor, e até mesmo produzir mais. -

Mais tarde, e já no século XX, os trabalhadores conseguiram também os subsídios de férias e de Natal, bem como conseguiram também que fosse criada a Segurança Social. Já com mais resistência os empresários continuaram a pensar da mesma forma, mas com uma nova nuance:

coisa, altera a forma de a executar, e aqui, entra o trabalho dos departamentos de RH e dos empresários, ou seja, entra a forma de motivar e educar os nossos trabalhadores. Mais do que premiar um desempenho, o importante é o motivar para esse desemprenho, pelo que a questão está na ordem das coisas, e não nas coisas em si. A produtividade de um trabalhador, consegue-se pela sua felicidade e/ou motivação, e não pela forma de o premiar. Na emergente cultura laboral, o que pesa é a felicidade de um trabalhador, e não a forma de o premiar. Eu não posso dizer ao meu carro que se ele andar bem, o premeio com uma dose de combustível… Não! É ao contrário. Primeiro dou-lhe a dose de combustível, e depois disso pratico uma condução de forma a tirar a melhor rentabilidade do carro com ela, enquanto paralelamente estou atento a todas as revisões e cuidados necessários, para garantir que está nas melhores condições para me garantir uma boa prestação. Depois de tudo isto, depois de estar certo de que fiz tudo bem, que agi proactivamente, aí sim avalio o meu carro, e decido que tipo de utilização lhe posso dar, em função das competências demonstradas.

Neste momento, neste momento de viragem, encontramos de tudo. Temos empresas no Top da felicidade das suas equipas, temos empresas que usam isso para efeitos de marketing, mas que na realidade essa não é a sua prioridade, e temos ainda outras, que ainda não perceberam esta mudança universal, e que continuam a ver os seus colaboradores como máquinas de produção. Depois há também muitas outras, que querem entrar neste novo mundo laboral, e ainda não perceberam que há profissionais, nomeadamente na área do Coaching, que estão a fazer coisas incríveis por estas mudanças, e que estão disponíveis para trabalhar com as empresas, no sentido de as tornar mais produtivas, com um trabalho de envolvência e motivação para as tornar mais felizes. Vamos lá?

Façamos com que hoje, seja cada vez mais isso o que acontece… fazer as nossas equipas felizes.

Pedro Quaresma da Silva

*Artigo publicado na revista Human Resorces Portugal a 15 de fevereiro de 2022. 

És feliz com o que tens?


Pedro Quaresma da Silva

13.01.22

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- És feliz com o que tens?

Sempre que me perguntam se sou feliz, eu respondo que sim, com um sorriso de orelha a orelha. É vulgar nas minhas saudações, até mesmo a pessoas que acabaram de me ser apresentadas, eu perguntar-lhes se estão felizes por terem nascido? Sinto que ser ou estar feliz é visto, por muita gente, quase como um tabu, como algo que não se pode assumir como um facto real. Quem diz ser feliz é, de um modo geral, visto como uma espécie de louco porque, afinal, ser feliz é, no conceito geral, uma miragem.

Normalmente, a resposta à questão sobre a felicidade de cada um é dada com um encolher de ombros, ou com um erguer de sobrancelhas, o que me leva a expressões populares como "Vai-se andando" ou  "Vou como Deus quer”. Há ainda quem apresente outras expressões, igualmente curiosas e desviantes da responsabilidade que o próprio tem sobre a sua felicidade. Ser feliz, é algo que se deve comer, digamos assim, a todas as refeições, e em todos os intervalos das refeições, enquanto estamos vivos.

Ser feliz tem muito a ver com muita da nossa capacidade de olhar em volta e de perceber tudo o que existe ao nosso redor, valorizando tudo o que compõe a nossa existência. Eu sou de facto um privilegiado, reconheço-o. Vivo a cerca de 40 quilómetros do trabalho e tenho a possibilidade de apreciar paisagens lindíssimas no caminho de e para o emprego. Por vezes, não poucas, perguntam-me porque não procuro residir mais perto do trabalho. Eu sorrio e algumas vezes explico. Quando saio de casa, vejo muitas vezes o nascer do sol e, quando regresso, vejo também o pôr do sol. Vejo montes, vejo pessoas, vejo o verde do meu norte e tenho ainda tempo para, entre tudo isto, desligar do trabalho ou focar-me para o trabalho. Tenho tempo para pensar, para ouvir as minhas músicas e as minhas rádios, para rir-me com programas matinais…

Desfruto da viagem, ao invés de a ver como um peso no meu dia. E no seu caso, costumo perguntar? De um modo geral, recebo uma resposta vaga, de quem, não se rendendo, também não terá muito para dizer ou contrapor. De um modo geral na minha opinião, ser feliz é estar vivo. É ser capaz de enfrentar com vontade de vencer cada obstáculo que a vida nos coloca no caminho. E, por cada obstáculo que transponho, fico mais feliz, porque assim, acumulo mais uma vitória. É uma vitória sobre mim próprio.

Não é uma vitória comparativa com ninguém porque essas sim, na realidade, são as conquistas que menos importam... As vitórias comparativas são uma vitória para os outros verem, e não para nós próprios. A grande questão é que o ser humano tem sempre a tendência para viver a competir com tudo o que o rodeia, exceto consigo próprio porque, para isso, tem de olhar muito para dentro de si e isso, meus amigos… é muito difícil! Isso obriga-nos a reconhecer as nossas fragilidades, as nossas incompetências, as nossas incongruências e as nossas incoerências.

E, o pior de tudo, obriga-nos a reconhecer a quantidade de vezes que cometemos o maior dos pecados que podemos cometer, que é mentirmo-nos a nós próprios. No meio de todo o alvoroço da minha viagem pela vida, também procuro o meu tempo. Procuro aquele tesouro que toda a gente diz não ter, que é o meu momento, aquele bocadinho no espaço temporal do dia em que me encontro… O tempo! Sim, ser feliz é estarmos dispostos a termos tempo para olhar para dentro de nós e sermos capazes de o fazer. Mas mais do que isso, é ter a coragem de o fazer, algo que muitas vezes nos falta.

Ser feliz é, talvez, acima de tudo, um ato de coragem que me obriga a ser diferente à vista do comum mortal, a ser visto como uma espécie de louco e a passar uma imagem que, nalguns casos, ao olhar de quem me vê, roça a irresponsabilidade, não o sendo de todo, na verdade. Ser feliz não é só ter um olhar crítico sobre tudo o que me envolve mas também, e principalmente, sobre quem sou e sobre quem (não) quero ser.

Pedro Quaresma da Silva

*Artigo publicado no portal SAPO Lifestyle

É feliz com quem tem?


Pedro Quaresma da Silva

12.01.22

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- É feliz com quem tem?

Esta é uma pergunta que surge sempre que algo nos incomoda nas pessoas que nos rodeiam. Mas afinal, incomoda porquê?

Será que de um modo geral valorizamos tudo o que quem nos rodeia, tem, ou faz, ou diz, ou revela, ou pensa, de positivo? Ou ainda mais… será que valorizamos as pessoas que estão ao nosso lado?

Por vezes as pessoas questionam-me a respeito da minha forma tranquila e amigável de estar na vida, e a minha resposta é invariável… Foco-me no que todas as pessoas têm de positivo. E antes que o mundo leitor se levante cético chamando esta atitude de utópica, permitam-me que vos diga que de facto funciona.

E isso pode acontecer num casal, no seio familiar, entre amigos ou colegas de trabalho, no grupo de jovens ou em qualquer atividade coletiva, no entanto, eu optei hoje por me focar nos casais, uma vez que na minha atividade enquanto Coach, é uma área em que me têm procurado bastante.

É comum o ser humano recordar todos os aspetos negativos de qualquer vivência, relevando os aspetos positivos, como deveria acontecer, senão, pensemos juntos: Se nos concentrarmos como numa receita de culinária, no objetivo de confecionar a felicidade, que ingredientes iríamos utilizar? O que poríamos na balança, ou o que iríamos medir, para chegarmos ao objetivo? O foco numa boa gastronomia, é a utilização de todos os ingredientes que a engrandecem, certo? Então, e antes disso, para que todos os ingredientes estejam nas melhores condições para otimizar o resultado final, vamos arrumar, limpar, e organizar a despensa, o frigorífico, o forno, o baú, vamos tornar a cozinha mais apelativa, etc… Vamos limpar, arrumar, tudo aquilo que pode ser suscetível de estragar a nossa receita… Vamos limpar as discussões que não serviram senão para nos consumir energia e estragar a convivência, vamos limpar os erros cometidos, e com eles crescer. Vamos também afastar de nós as pessoas que nos suguem energias importantes para quem nos é importante, e vamos gerir as nossas prioridades; depois, vamos juntos, em casal, levar tudo isto ao ecoponto, para que ambos se certifiquem que todas estas coisas negativas, e destrutivas foram efetivamente aniquiladas. Agora sim… nesta receita da felicidade, vamos então colocar uma boa dose de bons momentos, uma boa medida de gargalhadas e sorrisos, acrescentemos também aquelas situações de cumplicidade que nos levaram àquele tão almejado objetivo, não nos esqueçamos de tantos momentos de afetos, nem tão pouco de todas as partilhas em momentos menos bons, e em que ambos sentiram o apoio e o conforto do outro, e que nos ajudaram a dar as mãos e ultrapassar essas dificuldades. E agora vamos aguardar… Enquanto a felicidade está a crescer no forno (imaginem um forno a lenha), alimentando o forno para conseguirmos a temperatura ideal, portanto vamos sentar-nos no sofá, no alpendre, vamos dar um passeio, fazer uma viagem, ver o mar, ou o que preferirem, e focar neste novo aroma da relação arrumada… sentir esta renovada brisa, e perceber que sim… que tudo vale a pena quando o que queremos de facto é ser felizes com quem temos, ao invés de fazer o caminho mais fácil que é descartar.

Noto nas sessões de coaching que vou fazendo com vários casais, e mesmo em pessoas individuais, que as pessoas tendem a complicar a simplicidade da felicidade, focando-se nos erros, e nunca nos méritos de cada um. São poucos os que felicitam pelos méritos, e muitos os que castigam pelos erros, esquecendo os primeiros e registando na pedra os segundos. Costumo dizer que não se arrefece a água com água quente, e nessa linha, quando não utilizamos o antídoto que temos na mão, estamos a potenciar a progressão do veneno.

Numa relação de casal, costumo dizer que acredito no funcionamento de qualquer relação que tenha quatro ingredientes:

 

RESPEITO – Com o respeito, conseguimos perceber que cada pessoa é um individuo, com necessidade do seu próprio espaço, e com comportamentos, posturas, opiniões, etc… diferentes entre si. Para entendermos o outro, temos de o escutar, e respeitar na diferença, nas limitações, crenças, ou outras.

CUMPLICIDADE – Esta é a relação invisível e silenciosa, mas talvez a mais rica. A cumplicidade permite que o casal comunique apenas com um olhar, com um silêncio, com o tom de voz, etc… Faz com que a interação seja algo inexplicável, e um facilitador para a comunicação.

AMIZADE – Amizade é o ponto de união, podemos se quiserem, chamar-lhe o berço da relação. É na amizade que tudo começa a acontecer, e é a amizade que faz com que as relações não se baseiem nas futilidades como o sexo (quando visto como algo absolutamente primordial), ou outros tantos interesses sem essência ou conteúdo capaz de alimentar uma relação feliz.

COMUNICAÇÃO – Outra grande chave num relacionamento… a Comunicação. Quando um casal não é capaz de comunicar, a relação deixa de fazer sentido. Naturalmente que quando se assume esta perceção, podem criar mecanismos para reativar, mas se nem assim conseguem… Não vale a pena. É o momento em que as partes do casal começam a falar mais com os confidentes do que com o(a) parceiro(a), e com isso, a perda de todas as anteriores está eminente. A primeira a perder-se é a cumplicidade, aos poucos pode ir desaparecendo a amizade, e por fim, o respeito poderá acabar por perecer também.

Com tudo isto devem estar a pensar que me esqueci de referir o sentimento… o Amor. Mas não, não me esqueci. Apenas entendo que não adianta nada falar de amor, se estas quatro chaves não estiverem na algibeira da relação. Com elas, esse tal amor irá com certeza estar lá.

Por favor, meus amigos… Sejam felizes com quem têm.

Pedro Quaresma da Silva

*Artigo publicado no portal SAPO LIfestyle 

Novo Ano, Novo Foco


Pedro Quaresma da Silva

03.01.22

E assim nos aproximamos do limite de uma sequência de datas que incluíram o ano de 2021.

Trata-se apenas de uma série de vivências e de momentos, de mais uma sequência de instantes que formam mais uma etapa de uma vida. Normalmente nesta altura, costumamos começar a pensar num mar de coisas que no novo ano que se inicia queremos mudar, ou em novos comportamentos que queremos adotar, novos hábitos que pretendemos adquirir, ou outros que queremos abandonar.

FOCO!

O importante é o foco, muito mais do que uma data… Não é a data que nos transforma, mas sim nós próprios quando nos focamos na transformação desejada. Desde que nascemos, que a nossa principal missão é ser felizes, e não a partir desta ou daquela data, logo, não faz sentido estarmos à espera que mude o ano, para nos forcarmos em tudo o que nos constrói ou faz felizes. A data é HOJE! É hoje, e todos os dias que devemos pensar na nossa transformação, mas se assim preferem, e uma vez que neste momento nos preparamos para encerrar o ciclo de datas do ano de 2021, então que assim seja, e que a partir do novo ano que se aproxima, o foco sejamos nós.

Então, sendo assim, vamos lá fazer os tais votos de Ano Novo, mas vamos fazê-los de modo consciente e coerente. Vamos medir os objetivos de modo a que estes nos levem a um trabalho individual que nos permita alcança-los, e não a potenciar frustrações. O objetivo é sermos felizes, e não frustrados. Quando nos propomos a um objetivo de alcance demasiado difícil, estamos a expor-nos a frustrações suscetíveis de ferir a nossa auto estima, e por vezes até mesmo o amor-próprio, criando a crença de que não somos capazes. Não podemos defraudar a confiança que temos em nós próprios, sob pena da deixarmos de nos sentirmos credíveis. Também não vamos querer mudar uma vida num dia, por isso vamos com calma, mas assertivos e focados, fazer o caminho da transformação individual. Vamos ser felizes.

Por mim, que o novo ano nos traga mais de nós, nos dê mais de nós, e nos permita mais de nós, para que cada vez mais sejamos mais de nós e para nós. Vamos ser melhores, para melhor podermos cuidar do nosso contexto pessoal, social, profissional, etc.

Votos de um Novo ano pleno de sucesso, saúde, e felicidade.

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Feliz com quem sou


Pedro Quaresma da Silva

09.12.21

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- É feliz com quem é?

Esta é uma reflexão que diariamente ocupa uma parte do meu dia. É para mim muito importante perceber o quanto sou boa companhia para o eu que tanto precisa de mim. De manhã, quando me levanto, tenho vários rituais sendo uns mais sérios e outros mais loucos, porque esse é quem sou. A minha atitude e postura perante a forma que tenho de passar por esta viagem que é a vida, tento que seja sempre de acordo com quem sou, para que me sinta sempre coerente comigo mesmo.

Entre brincar em frente ao espelho com a minha aparência quando acabo de acordar, e dançar a caminho do chuveiro, também penso na alegria de acordar e ter acesso pleno à vida que escolhi.

Por vezes, não poucas, lembro-me que sou a pessoa que me vai acompanhar até ao meu último suspiro, e da responsabilidade que isso significa para a minha felicidade. Esse é o peso do quem sou, e o que torna tão importante o facto de ser feliz com quem sou.

A consciência de quem sou, ajuda-me diariamente a entender o meu percurso e as minhas opções ao longo da viagem que é a minha existência. A forma como existo, por seu turno, define também a forma como tomo e assumo as minhas opções, pelo que, deste modo torno-me mais coerente, feliz e assertivo nas minhas decisões, sem prejuízo da essência que me move.

É frequente, eu perguntar a pessoas que vou conhecendo ao longo desta aventura:

 

- Quem és?

De um modo geral, as pessoas ficam confusas com a pergunta, sorriem, e dizem-me um nome, uma idade, um estado civil, e uma profissão. Por vezes dizem-me mais qualquer coisa, mas na mesma linha. Em resposta, pergunto à pessoa se não é mais do que a informação do Cartão de Cidadão (CC).

A vida tem tantas coisas boas que nos identificam e que tanto dizem de nós, tem tanta música, tantos cheiros, tantas brisas, tantas paisagens, tantas pessoas, tantas cidades, vilas e aldeias, tantas culturas, e nós limitamos quem somos à informação do CC. A questão, é que passamos pela vida, como quem viaja de comboio sentado do lado da janela, e para quem a única utilidade desta é encostar a cabeça para dormitar, não usufruindo da viagem, apenas viajando. Quando chegam ao fim da viagem, alguém pergunta como correu a viagem, e a resposta não passa de: - Foi tranquila. É verdade que é muito importante que façamos a viagem (vivamos), de forma tranquila, mas isso não significa que deva ser feita sem usufruir de tudo o que ela tem para oferecer, para nos fazer crescer e ser mais felizes. Aquela janela do comboio, como a janela da vida, tem tantas coisas magníficas para ver, sentir, inspirar…

Quanto mais nos envolvermos na vida, ao invés de apenas nos permitirmos passar por ela, maior será a probabilidade de nos autoconhecermos, e desse modo percebermos quem somos, aumentando o orgulho de quem somos, e a felicidade de sermos quem somos.

Lembro-me sempre que não vivo vivendo. Mas vivendo… VIVO!

Posto isto, é feliz com quem é?

Pedro Quaresma da Silva

*Artigo publicado no portal Sapo Lifestyle

 

Ser Eu


Pedro Quaresma da Silva

05.11.21

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Estou farto, cansado, saturado, exausto, exaurido, desgastado...

A vida vai levando e vai trazendo, mas o equilibrio procura-se neste vai e vem de emoções.

Quem doseia este vai e vem? Qual é o critério?

Quando leva, por vezes(raras), devolve; quando traz, nunca sei se é para ficar.

Quando devolve, nunca é igual, quando fica, nunca sei até quando.

Uma incerteza constante neste vai e vem do que a vida quer.

Decidi ser eu. Contra tudo e contra todos, decidi ser eu.

Decidi que faça eu o que fizer, a incerteza do vai e vem continua, mas com a vantagem da certeza de quem sou.

Não serei incerto nem um vai e vem de mim... serei eu, e em mim encontrarei a certeza do que há de vir.